sexta-feira, dezembro 07th, 2012 | Author:

Esculpido e com ritmo Barroco e impregnado de estilo séc. XVII, o mobiliário do Baixo-Languedoc tomou com o decorrer dos tempos um aspecto mais leve. Porém, influenciado pela Provença vizinha, este conservou a eloqüência da costa mediterrânica.
Pouco conhecido, o mobiliário mais prestigiado de Montpellier encontra-se ainda envolto em mistério. Como se chama este armário? Já o denominaram protestante, de Languedoc, biblíco, huguenote, de Cévennes. De Montpellier nunca. Também já o baptizaram de Sumène, pequena localidade da região de Cévennes. Na verdade, encontramo-lo em todo o Baixo-Languedoc, de Nímes até Narbonne Todavia, qualquer que seja a sua origem, o armário em questão é grandioso. Data geralmente do séc. XVII, foi directamente herdado da Renascença, da qual conservou sua decoração e é, pela sua estrutura, de estilo Louis XIII direito, assente em pés robustos, rectilíneos ou em bola mais ou menos achatada. À primeira vista, evoca os móveis de dois corpos, mas trata-se de um armário de duas portas abrindo-se em toda a sua altura. Ainda influenciadas pela Renascença, as suas portas são trabalhadas e divididas em seis ou doze painéis, mais raramente em oito: um modelo deste últimotipo pode seradmirado no Museu do Languedo em Montpellier.

HERÓIS ANTIGOS E QUATRO ESTAÇÕES.
As ricas esculturas destes painéis são inspiradas nos temas das gravuras da época. Em primeiro lugar, da Bíblia criação do mundo e diversos episódios dos Antigo e Novo Testamentos. Certos modelos podem ser admirados no Museu du Vieux Nímes. Depois, da mitologia: nobres retratos eqüestre: de heróis antigos, como os de Alexandre da Macedónía e de Césa visíveis num armário exposto no Museu Vulliod-Saint-Germain di Pézenas. Por fim, da Renascença com a representação da: quatro estações. Os ornamentos com folhas de acanto geralmente reservadas aos armários de 12 painéis, são pelo contrário de inspiração mais local.
Desafogados, os armários possuem um frontáo triangular de decoração exuberante. Sereias, dragões… surgem de entre ramos ou com curiosas figuras meio-humanas, meio-vegetais numa sarabanda barroca. Armários de Prelado, por vezes, estas peças de mobiliário são na sua maiorparte armários de casamento. Os símbolos defidelidade efecundidade abundam: flores, frutos, anjinhos entrelaçados… Podem igualmente encontrar-se representações mais truculentas, como esta ninfa de corpo vegetal exibindo os mamilos no frontáo de um dos armários do Museu do Languedoc.
Com a Paz de Ales, em 1629, entre católicos e protestantes, o Baixo-Languedoc conheceu um novo ressurgimento. Pézenas acolhe o princípe de Conti e Molière fixou aí a sua residência.
Pierre-Paul Riquet iniciou a construção do Canal du Midi que seria inaugurado em 1680, alguns anos após a criação do porto de Sete. É, pois, de um século empreendedor que datam os famosos armários.
0 seguinte, também ele próspero, viu nascer uma nova estética. As formas ditadas pela Regência, onde dominam as curvas, impõem-se tardiamente no Languedoc em meados do séc. XVIII, enquanto que em Paris agitavam-se já os sinais precurssores do estilo neo-clássico. Nessa época, de Montpellier a Pézenas e Béziers, o móvel do Languedoc sofreu a influência preponderante da Provença vizinha.
Com efeito, o exemplo provinha provavelmente de mais perto ainda, de Nímes, onde se aperfeiçoou o estilo provençal. 0 rococó e a sua fantasia de ornamentos assimétricos foi tomada num grau de liberdade como em mais nenhuma outra região.
As cômodas e as consolas – cuja produção é aqui particularmente abundante – ondulam em curvas e contra-curvas. As fachadas e as partes laterais tornam-se arredondadas. Os pés arqueiam-se e as cinturas ornamentam-se de abertos e fechados esculpidos. Menos exuberantes, as cômodas de Montpellier retomam as mesmas estruturas que as suas irmãs de Nimes, simplificando-as. Orgulhosa de um esplendor passado, Pézenas parece dominar a produção local. Típico da cidade, o cadeirão é também decorado com esculturas.

UM ESTILO VOLUNTARIAMENTE BARROCO.
Antes do seu declínio no final do séc. XIX – as ricas famílias dos comerciantes de vinho preferiam então ir adquirir os seus móveis a Paris – o mobiliário regional registou por volta de 1800 um período fausto. O estilo Louis XVI cruzado com oestiloDirectóriotriunfounaplaníciedacostamediterrânica. As formas são direitas, o canelado regular realçam batentes e partes superiores.
Cerejeira e sobretudo nogueira, eis as madeiras mais empregues. Os tampos são freqüentemente em pedra, um belo mármore do Languedoc, com veios.vermelhos. Os móveis de Montpellier e do Baixo-Lnaguedoc têm com efeito uma identidade, ainda que permaneçam bastante desconhecidos.
«Eles não têm um estilo particular», ouve-se dizer. Sem dúvida porque são associados um pouco levianamente e à pressa à produção provençal e isso é desconhecer a sua riqueza e especificidade.
Por vezes, menos resplandecentes que os seus primos provençais, menos esbeltos, eles querem-se barrocos, denunciando as formas e deixando à escultura, gorda e farta, o trabalho de dar vida e alegria ao conjunto.

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